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Agora, silêncio! que se vai cantar o Fado!
Os projectos educativos apresentados pelos directores vendem-se pela uniformidade do ego globalização-mundo dos vários ministros da educação, conduzidos pelo leme dos clichés em voga em cada onda de moda: "democracia, diversidade, inclusão, humanismo e alunos como cidadãos do mundo", clichés que morrem sempre na praia como alforrecas cansadas. O corporativismo dos professores, dos funcionários e dos encarregados de educação colocou "bons" e "maus" no mesmo saco, sobrepondo o barulho da força-quantidade, pela voz frágil da individualidade-qualidade; e colocou os interesses corporativos de cada classe, sobre o melhor interesse das crianças e dos jovens.
O projecto educativo das escolas públicas tem de ser nacional e adaptado às especificidade de cada aluno. Nacional, no sentido de que tem de ser um factor de união do país e resultar de um esforço de concentração de todos os indivíduos pela aplicação da diversidade de pensamento,e não pela aplicação da uniformidade de ideologia política nacional e/ou local; adaptada às especificidades de cada aluno, no maior respeito pelo potencial de cada criança, na certeza do que ecada criança poderá contribuir, com a sua individualidade, para transformar o país e o mundo em melhor humanidade.
Agora, silêncio! que se vai cantar o Fado!
Numa entrevista ao canal CNN, um director de agrupamento quando questionado sobre a possibilidade de regresso de professores aposentados, responde: "não, os professores não estão a aderir muito a essa solução, no entanto é uma solução que também perverte o sistema, ou seja, inverte a pirâmide, oferecem-se suplementos remuneratórios a esses docentes muito superiores àquilo que se paga a um director, sub-director, a um adjunto de uma direcção que são efectivamente as pessoas que neste momento estão a fazer com que as escolas funcionem...". Esta posição desactualizada! prova que os professores, pelo seu exclusivo grau de especialização na docência de uma determinada disciplina, não são os melhores gestores, pois a-gestão implica o desenvolvimento de competências interdisciplinares, multidisciplinares e transdisciplinares que não fazem parte do currículo da docência focada no saber técnico compartimentado de uma determinada disciplina.
Ora, no meio empresarial é comum directores ganharem menos que os seus colaboradores, especialmente se a especificidade do cargo assim o determina como factor essencial para o todo, pelo que os directores das empresas sabem que o título do cargo que ocupam não depende da sua posição na pirâmide organizacional, mas do contributo que produzem para o todo. De notar que um colaborador altamente especializado não é necessariamente um bom candidato a um cargo de gestor de recursos humanos dos seus pares.
Esta cultura de Escola de gestão rígida e concentrada numa figura única de director com formação em docência e não em gestão de organizações é factor de castração do ensino de qualidade para a Paz (positividade), Inovação (genialidade) e Empreendedorismo (responsabilidade), pois os professores de elevada qualidade não são valorizados, nem diferenciados, nem motivados financeiramente, quando o deviam de ser, pois a recompensa do professor deve estar no seu esforço em desenvolver melhores técnicas de cognição que confira vantagens cognitivas de colaboração aos alunos e não no grau de obediência à política burocrática do director e/ou do ministério da educação. As escolas deviam de ter uma pessoa, com formação em gestão de recursos humanos, concentrada a gerir as motivações de cada professor, não só para poderem gerir as tensões como também para motivar o professor no seu percurso de transformação do ensino em melhor ensino.
Agora, silêncio! que se vai cantar o Fado!
Um dos mitos que subsiste na análise dos episódios de violência das escolas públicas é o de que a violência é sintoma exclusivo da disfuncionalidade de bairros onde a pobreza criou colónias neoplásicas que transformaram alunos, pais e professores em monstros. Porém, a realidade mostra que essa violência é igualmente endémica nos colégios privados e internacionais. A diferença é que nas escolas públicas, a maioria dos pais não tem dinheiro para defender os seus filhos no tribunal.
As tensões que se geram numa escola são muitas, tal como nas empresas, no entanto as escolas não têm qualquer tipo de acção inovadora que alivie e previna essas tensões, senão o recurso à rigidez, sendo isto mais uma prova da gestão desatualizada das escolas.
Agora, silêncio! que se vai cantar o Fado!
Se o ensino público português está preso na lama, tal se deve ao regime de autonomia, administração e gestão dos estabelecimentos públicos da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário e não ao potencial de realização dos alunos portugueses, porque este regime de "autonomia" tem como centro satisfazer as necessidades do ego da ideologia política nacional e local e não as necessidades das crianças.
Agora, silêncio! que se vai cantar o Fado!